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"Sistema Silvipastoril"

Dentre todos os sistemas de produção acima citados irei descrever com mais detalhes o sistema silvipastoril, por ter maior facilicidade de aplicação na nossa região, onde atualmente a atividade rural predominante é a pecuária.
Através da criação de gado com florestas na mesma área o produtor diversifica sua renda, obtida com a comercialização de produtos e/ou subprodutos madeireiros e da carne. Mas para quem acredita na lógica do sistema e quer implantar na propriedade, é preciso começar do jeito certo. Um bom planejamento e uma equipe qualificada e multidisciplinar é parte essencial para se obter resultado positivo.
Para que o sistema silvipastoril seja implementado com sucesso na propriedade é necessários cuidados desde a formação da área. A análise, correção e preparo do solo é o primeiro passo para atingir o objetivo almejado, é importante também realizar o controle de formigas cortadeiras e cupins, que são prejudiciais tanto para as mudas florestais quanto para a pastagem. A próxima etapa é definir a espécie florestal a ser utilizada (eucalipto, mogno africano, cedro, etc.) e a quantidade de árvores por hectare (200 a 400), afinal se for plantado um número elevado prejudicará a produção da pastagem, e em casos de poucas árvores na área haverá menos sombra. Outro ponto fundamental é o prazo da entrada dos animais para pastejo, no caso do eucalipto pode ser após um ano de plantio, respeitando a taxa de lotação na área que deverá ser baixa a princípio, para evitar que árvores sejam danificadas.
Em regiões de calor intenso como a nossa, as árvores proporcionam sombra para o gado, e isso lhes oferecem conforto e, consequentemente, um maior rendimento e ganho de peso. Este fato é bem compreendido quando em pleno sol do meio-dia é possível ver os animais amontoados na sombra da copa das árvores. Outra vantagem interessante nesse sistema é que há diminuição no consumo de água do rebanho, que reduz em até 20%. Uma vaca costuma beber cerca de 50 litros de água por dia, mas nesse sistema ela poderá ingerir 10 litros a menos. Podemos citar também como ponto positivo a função de quebra-vento que as espécies arbóreas proporcionam, mantendo por mais tempo a umidade do solo.
Dados de pesquisas dos SAFs feitas em algumas regiões do país, apontam que a fertilidade do gado é alterada, resultando em aumento significativo nas taxas de prenhês, aumento do libido do touro, interferência no cio das fêmeas e até mesmo no peso dos bezerros. Pesquisa estimulada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e desenvolvida pelo Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão (Emater), revela ótimo resultado ao agropecuarista que opta pelo consórcio eucalipto e pastagem. Em comparação ao pasto convencional, no sistema silvipastoril o gado de corte pode obter 30% a mais no peso, igual percentual ocorre na produção leiteira. Existe ainda a rentabilidade com a comercialização da madeira e o produtor pode se beneficiar com a redução de juros e longo prazo de carência em financiamento.
O corte do eucalipto ocorre após seis ou sete anos, simulando a quantidade de 300 árvores/ha a produção será de 16 m³/ha/ano a R$ 45/m³ totalizando R$ 720 de ganho por hectare/ano. Mas se o mercado não estiver como o esperado, a árvore pode permanecer na área a custo zero só engrossando, automaticamente o valor dela aumentará. Atualmente, para o plantio de um hectare de floresta pura de eucalipto, o pecuarista teria de investir de R$ 3.500,00 mil a R$ 4.000,00 por hectare, numa lotação de 1.111 árvores plantadas. Se forem plantadas 300 árvores/ha, o custo cai para aproximadamente R$ 1.500,00.
Embora muitas vezes criticado e visto como uma ameaça às florestas nativas, o eucalipto cumpre um importante papel ambiental, fornecendo a matéria-prima que, de outra forma, seria obtida das florestas naturais. O estabelecimento de plantios florestais, em diferentes regiões do mundo, é necessário para garantir o suprimento de madeira para a crescente população mundial, contribuindo para a geração de emprego e renda nas propriedades rurais, principalmente quando áreas ociosas são utilizadas. Além disso, representam oportunidades de negócio incentivando a instalação de indústrias, promovendo o desenvolvimento regional.

“A sustentabilidade de uma propriedade não está apenas nos resultados econômicos da produção agropecuária, mas também apoiada nos pilares sociais e ambientais”.