SAÚDE

Alimentos Podem Prevenir Transtornos Mentais

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Cuidados com a saúde da mente começam na mesa! A importância de bons hábitos alimentares para a qualidade de vida é um fato, mas poucos sabem que eles estão diretamente ligados à nossa saúde mental. O cérebro consome entre 20% e 25% da energia que obtemos através dos alimentos. Mas só recentemente passou-se a estudar o papel da dieta em relação a transtornos como depressão, ansiedade e défict de atenção.

Um artigo publicado na revista ameri­cana The Lancet Psychiatry, em 2015, discute novas abordagens na medicina para se tratar de transtornos. “Enquanto os determinantes da saú­de mental são complexos, a evidência emergente e convincente da nutrição ser fator-chave para a alta prevalência e incidência de transtornos men­tais sugere que a nutrição é tão importante para a psiquiatria como é a cardiologia, endocrinologia e gastroenterologia”, afirma o autor principal do texto, Dr. Jerome Sarris, membro da Sociedade Internacional de Pesquisa em Psiquiatria Nutri­cional. Para ele, os médicos devem passar a incluir a dieta como grande parte do tratamento de pro­blemas mentais.

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A revista científica BMC Medicine reali­zou um levantamento que sugere que pessoas com uma dieta ruim estão mais propensas à depressão. Durante o último Congresso da Associação Ame­ricana de Psiquiatria, o psiquiatra Drew Ramsey, professor da Universidade Colúmbia, listou uma série de alimentos cruciais para a prevenção e o tratamento desse distúrbio que afeta um total de 11,5 milhões de brasileiros, segundo os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Ramsey afirma que o ômega-3, magnésio, zinco, as fibras e o ferro são os principais nutrientes, incluindo também as vitaminas C, B1, B9, E, e B12. Para o psiquiatra, uma dieta rica em folhas e peixes tam­bém é forte aliada no combate da doença e segun­do ele, um estudo efetuado revela que foi possível observar uma diminuição de cerca de 50% dos ris­cos de depressão.

Pacientes em tratamento de défict de aten­ção, com ou sem hiperatividade (TDAH), devem tomar um cuidado a mais com a alimentação. A medicação desse distúrbio trabalha o sistema de neurotransmissores – normalmente dopamina e serotonina – e o cérebro precisa de certos nu­trientes para metabolizá-los. Os alimentos mais indicados para melhorar a concentração são as proteínas – carnes em geral – e os carboidratos complexos, tais como aveia, sementes, grãos in­tegrais, entre outros. Já os carboidratos simples, como o açúcar e a farinha branca, são prejudiciais e devem ser evitados.

Para Dr. Wolf Singal, um dos poucos mé­dicos brasileiros que atuam diretamente na psi­quiatria nutricional, uma dieta a base de industrializados e fast-foods provoca um descontrole na flora intestinal. “Nossa saúde mental depende do equilíbrio de neurotransmissores, cuja produção é cerca de 95% feita no intestino”, comenta. Para se­guir uma vida saudável, ele aconselha que o uso de alimentos que possuem agrotóxicos seja regulado e destaca a importância de um cardápio variado. Para o máximo aproveitamento desses nutrientes, o consumo de aproximadamente 2,5 litros de água por dia é essencial, mas como esse número varia pela idade e peso, fazer uma visita a um nutricio­nista é o ideal para quem deseja melhorar a ali­mentação e levar uma vida mais saudável.

Por Lara Freitas